O CDS/Açores reafirmou hoje uma reflexão séria e estratégica sobre o futuro da saúde na Região, voltando a alertar para os riscos de decisões centralizadoras e sublinhando a necessidade de preservar a proximidade, redundância e a resiliência do Serviço Regional de Saúde.
Durante a sua intervenção na Assembleia Legislativa, o Líder Parlamentar Pedro Pinto afirmou que “refletir hoje sobre a saúde, como no passado o CDS já o fez, é absolutamente indispensável”, defendendo um novo modelo de financiamento e uma gestão mais criteriosa dos recursos humanos, financeiros e materiais alocados às diferentes áreas da saúde.
O Deputado destacou que a realidade “insular, arquipelágica e ultraperiférica” dos Açores obriga a soluções adaptadas às especificidades da Região, recordando que o arquipélago enfrenta desafios únicos na prestação de cuidados de saúde.
“Dada a sua natureza e localização, os Açores são uma região propícia à ocorrência de fenómenos naturais extremos. Numa região onde de Santa Maria ao Corvo dista mais do que de Norte a Sul de Portugal Continental, e onde habitam cerca de 240 mil pessoas, existem três hospitais e 16 centros de saúde”, afirmou.
Pedro Pinto apontou três pilares essenciais para o futuro da saúde nos Açores: “Redundância, Resiliência e Recursos”.
O Deputado recordou que foi precisamente a existência de uma estrutura de saúde descentralizada e redundante que permitiu aos Açores responder com eficácia à pandemia de 2020, garantindo baixas taxas de contaminação e mortalidade.
“Foi pela existência de infraestruturas e equipamentos de saúde próximos das populações, e não apenas numa única ilha, assim como pela prestação descentralizada de cuidados, que se registaram os resultados positivos na Região”, frisou.
O Deputado recordou ainda a recente situação de inoperacionalidade do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em São Miguel, considerando que o episódio voltou a demonstrar a importância de existirem estruturas alternativas capazes de assegurar cuidados de saúde em diferentes ilhas.
Relativamente à discussão em torno de um eventual Hospital Central Universitário, Pedro Pinto alertou para a necessidade de ponderação e realismo.
“O HDES já é atualmente um Hospital Universitário à nossa dimensão e realidade”, afirmou o Deputado, acrescentando que uma infraestrutura com estatuto de Hospital Central Universitário exige o cumprimento de requisitos legais, técnicos, científicos e académicos exigentes, nomeadamente capacidade de formação médica completa em todas as especialidades e manutenção de investigação científica ativa.
“Temos de estar muito cientes das nossas realidades e limitações, sem prescindir das nossas ambições, mas sempre com conta, peso e medida”, defendeu.
Pedro Pinto admitiu a possibilidade de construção de novas infraestruturas de saúde em São Miguel, defendendo inclusivamente que o futuro Centro de Saúde da Ribeira Grande possa ser repensado para assumir funções hospitalares complementares, contribuindo para descentralizar serviços e aumentar a redundância dentro da própria ilha.
“O CDS defende hoje o que sempre defendeu no passado: um Serviço Regional de Saúde robusto, coeso e resiliente, mas acima de tudo um serviço de proximidade, humanizado e que coloque os doentes em primeiro lugar”, concluiu o Líder Parlamentar.
Horta, 20 de maio de 2026
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